‘Era chamado de monstro’, diz ex-traficante salvo pela música e pela fé


Ex-líder do crime organizado em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, onde ficou conhecido como Júnior do Gueto, ele refez sua história, tornou-se pastor, depois missionário e hoje é reverenciado na Igreja Evangélica Shalom Adonai como Irmão Júlio.

Em 2013, ainda enrolado com o tráfico, ele conversou com o CORREIO e contou como tentou financiar a carreira de músico com a venda de drogas. Agora, em nova entrevista, revela o que ganhou ao escolher mudar o rumo de sua história.

O início 
Filho do já falecido Júlio Torrentino de Jesus e da costureira Eunice Souza Santana, o missionário que hoje é requisitado por diversas igrejas evangélicas para cantar e realizar pregações, desenrolou um vasto novelo para bordar sobre o temido apelido Júnior do Gueto a respeitosa alcunha de Irmão Júlio.

Casado e pai de quatro filhos, ele é direto ao falar sobre que imagem quer deixar para os herdeiros. “Quero que conheçam o pai de hoje. A pessoa que eles podem chegar na escola e ter orgulho de dizer. Antes eu era chamado de monstro. Hoje sou o Irmão”, diz.

Da infância pobre em Salvador, ele guarda, além das dificuldades vivenciadas no bairro Arenoso, a luta dos pais para não deixar faltar comida. “Quando a gente não tinha nada para comer, saía com meu pai para pescar naquele rio da Paralela. Foi uma infância muito difícil, mas meu pai batalhava para colocar o pão”.

Matéria Original do Correio 24 horas.